O problema é que eu sou assim, eu olho, escuto e não falo nada, tudo o que eu sinto eu guardo pra mim, a cada briga, a cada discussão eu só escuto, raramente falo o que me incomoda ou o que eu quero falar. Mas sempre chega uma hora que você não aguenta, chega uma hora que a menor gota d’água já é o suficiente para o copo transbordar, ai eu choro, choro tudo o que tenho que chorar, choro por brigas antigas, por palavras não ditas, choro para me aliviar.
Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser mal e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba.